23 de Julho de 2009
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Publicada em 30/08/06

Empresas Devem Reforçar Trabalho Junto A Anunciantes

Matéria publicada na Folha de São Paulo, hoje, dá conta que procura por outdoors cai 15% após apresentação do Projeto Cidade Limpa

Matéria publicada hoje, 30 de agosto, no Caderno Cotidiano, da Folha de São Paulo, estima que a procura por peças de outdoors caiu cerca de 15% após proposta do Projeto Cidade Limpa, pelo Prefeito Gilberto Kassab. Segundo a matéria, muitos anunciantes ainda demonstram receio em programar a Mídia Exterior, com medo de terem suas campanhas suspensas ou proibidas de serem veiculadas.

O Presidente da Central de Outdoor, Raul Nogueira afirmou que nos últimos meses, a procura diminuiu entre 15% e 20%. Segundo ele, "o projeto da Prefeitura provoca instabilidade. Os anunciantes ficam esperando alguma decisão e adiam a propaganda".

Empresas de Mídia Exterior estão procurando agências e anunciantes para orientá-los de que até a aprovação do Projeto Cidade Limpa (ainda sem previsão), o que vale é a Lei 13.525, que está em vigor desde 2003, regulando a Mídia Exterior na cidade de São Paulo. Isso significa que anunciantes e agências não precisam se preocupar com a veiculação de suas campanhas programadas para a Mídia Exterior, temendo pelo impedimento das mesmas, pelas condições impostas pelo Projeto Cidade Limpa. Como já foi frisado, esse projeto não está aprovado e não tem valor legal nenhum até a sua publicação no Diário do Município. Para isso, estão realizando esforços em agências e anunciantes, no sentido de esclarecer que a situação não mudou e que a Lei 13.525 continua em vigor normalmente.

As empresas exibidoras também reforçam a tese de que o Projeto Cidade Limpa não deve passar na íntegra da forma como foi redigido, já que muitos parlamentares o consideram radical demais. A própria Diretora do Meio Ambiente e Paisagem Urbana da Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), Regina Monteiro, já afirmou que alguns itens da proposta original enviada pelo prefeito terão de ser mudados para que ela entre em vigor.

As entidades representativas de vários segmentos envolvidos no projeto vêm desenvolvendo negociações com parlamentares para que o texto do mesmo seja revisto. Um projeto substitutivo está sendo discutido também como forma de se chegar a um consenso sobre o assunto. Isso também não implica em nenhuma alteração na Lei 13.525 que continua valendo para o exercício da atividade de Mídia Exterior na cidade.

A Prefeitura de São Paulo insiste que a poluição visual da cidade é causada pelas peças de Mídia Exterior e, portanto, deve-se eliminar toda manifestação nesse sentido, prejudicando todo um setor e provocando o desemprego de aproximadamente 20 mil pessoas que atuam nesse segmento. Mas, pesquisa realizada pelo Ibope, em parceria com a Central de Outdoor, mostrou outros resultados como abaixo:
Quando perguntados sobre quais os problemas que mais incomodam os moradores da cidade de São Paulo, os resultados mostraram que são a falta de policiamento (22%), desemprego (21%) e violência (10%). Com relação às áreas mais problemáticas, as respostas apontaram desemprego (58%), saúde (55%), segurança Pública (48%) e educação (33%).

No assunto poluição, a campeã foi a poluição do ar, com 61% das respostas, seguida pela poluição da água (18%), poluição sonora (10%) e finalmente a poluição visual (9%).

E quando se fala em poluição visual, a concepção desse termo parece não estar muito clara ainda para a população e apenas para a Prefeitura e alguns vereadores. Quando foi feita a pergunta "o que a população de São Paulo entende por poluição visual?", as respostas não trouxeram nenhuma surpresa, apontando elementos bem mais visíveis como: pichações e muros pichados (32%), cartazes colados em postes, lambe-lambe (18%), placas (17%), faixas nas ruas (15%) e outdoors (13%)

De uma maneira geral, a pesquisa apontou as seguintes conclusões:

1. Embora não esteja entre suas maiores preocupações, a poluição visual é, sem dúvida, um incômodo na vida da população da cidade: 80% afirmam que é um problema muito grave ou grave; 86% acreditam que São Paulo é muito poluída.

2. A percepção sobre a poluição visual na cidade se dá de várias formas: excesso de publicidade (legal ou ilegal), pichações, lixo nas ruas, fiações elétricas, entre outros elementos que poluem a paisagem urbana. População e poder público são vistos como os maiores responsáveis.

3. Pode-se afirmar que boa parte da população sabe diferenciar os anúncios indicativos de comércio dos publicitários. Estes últimos são bem avaliados e mais percebidos como uma propaganda legalizada.

4. No teste de imagem dos diferentes tipos de propaganda ao ar livre, "muro", "faixas e placas" e "peças indicativas de comércio" obtêm avaliação bastante negativa. Além das pessoas não gostarem, são percebidos como mais poluidores e ilegais. Sua visualização também parece ser bastante freqüente.

5. Assim, diante do fato de que a poluição visual é um incômodo para quem vive em São Paulo, pode-se afirmar que para a população esse problema poderia ser em grande parte resolvido se a legislação existente fosse aplicada, se houvesse um maior controle pelo poder público das formas de propaganda consideradas ilegais.

O presidente da Central de Outdoor, Raul Nogueira Filho, defendeu a posição assumida por outras categorias, afirmando que o projeto, da forma como foi proposto, é arbitrário e não obterá o resultado esperado.

O entendimento das entidades que defendem a Mídia Exterior e a luta pela ordenação visual da cidade, é que a Prefeitura deveria atuar mais intensamente na fiscalização das peças ilegais, punindo e multando quem trabalha fora da lei, ao invés de assumir uma postura tão radical que gerará desemprego, com certeza. Exemplo disso é o exercido pela cidade de Nova York que declarou guerra aos anúncios ilegais (veja matéria deste colunista).

Jorge Luiz Mussolin

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