23 de Julho de 2009
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Publicada em 13/11/14

Cortem Essa Árvore Já!

Em Buenos Aires, árvores são cortadas indiscriminadamente para colocação de outdoor da Coca-Cola

Qualquer tipo de esforço realizado tanto por empresários ou profissionais da Publicidade Exterior será seriamente abalado após a divulgação de um incidente muito infeliz na Cidade Autônoma de Buenos Aires.

Nas laterais da praça Eduardo Olivera - Avenida Liberator e vice-rei do Pino, uma área muito agradável de Buenos Aires, a Coca Cola instalou uma peça de outdoor para promover o seu produto Life. O problema é que a peça era difícil de ser visualizada por causa do número de árvores que existiam na praça.

Mas aqui vem a pior parte da história. O Ministério do Meio Ambiente e Espaço Público na Cidade teve de apresentar uma queixa criminal por árvores cortadas e danificadas. E não foram poucas. Quatro espécies sofreram uma mutilação imperdoável.

Na denúncia, feita pela Unidad Coordinadora de Investigaciones, é possível ler que "... em todos os casos, as árvores foram serradas com uma crueldade bestial e recebeu golpes particularmente violentos, feitos também longitudinalmente", deixando de pé apenas quatro árvores intactas que, curiosamente, não obstruíam mais a visibilidade da propaganda da Coca-Cola.

Na praça só ficaram de pé e intactos quatro árvores, cujas copas não obstruiram a visibilidade do cartaz com a propaganda da Coca-Cola, localizado a poucos metros de distância, em um terreno adjacente à ferrovia Mitre, atrás de uma cerca que delimita a rua da pista. O fato foi relatado por vários usuários do Twitter que carregaram fotos para a rede social. Enquanto isso, em um comunicado, a Coca Cola Argentina negou sua responsabilidade afirmando que "... em nenhum momento a empresa solicitou ou consentiu com o desmatamento e está à disposição das autoridades competentes para ajudar no que for necessário para esclarecer o fato."

Hoje, o outdoor não conta com nenhuma mensagem já que a Coca-Cola foi condenada a retirar a mensagem. As árvores foram destruídas e a surpresa inicial diante de semelhante atropelo , em nome da visibilidade de um outdoor, desaparece quando observamos o que acontece em outras áreas, onde a ausência de limites, ou normas sociais de coexistência- têm sido essencial e principalmente quebradas por aqueles que têm, por obrigação, responsabilidade maiores. Se o governante faz o que lhe dá na cabeça, o detentor da concessão para publicidade também poderá pegar um machado e por abaixo todas as árvores que porventura "perturbem a visão" do cartaz de seu cliente. Parece um filme já reprisado, mas não é ...

Carlos Guzman Heredia
Correspondente do eAgora - Buenos Aires