Publicada em 10/11/14
A Política E A Mídia Exterior
Na Argentina, políticos desrespeitam legislação para promover suas candidaturas
Falta praticamente um ano para a realização das eleições presidenciais na Argentina. Ao mesmo tempo, governadores e prefeitos são eleitos e, em alguns casos, serão renovadas as legislaturas federal e estadual. Com isso, a questão do financiamento das campanhas já está em progresso e os especialistas calculam que cada pré-candidato presidencial pode investir (ou gastar), algo em torno de 100 a US $ 130 milhões, realmente algo impressionante. E se há um lugar onde os políticos argentinos e seus assessores pensam que sabem tudo, esse lugar é chamado de Publicidade Exterior.
Uma dica para manter a política da boa vizinhança, durante o período pré-eleitoral, é não ficar parado na rua, porque é bem possível que alguém apanhe um impresso qualquer e cole em cima de você, transformando-o em um engenho publicitário. Os candidatos políticos, em qualquer eleição, são os que mais violam as legislações vigentes e, em muitos casos, as leis e normas que regulam a Publicidade Exterior tem as assinaturas dos mesmos que, depois, as desobedecem.
Há dois casos que chamaram a atenção da mídia argentina nas últimas semanas. De um lado, Rosario, capital da província de Santa Fe. Por outro Neuquén, capital da província de mesmo nome, localizada a cerca de 1.300 quilômetros a sudoeste da capital da Argentina.
Em Rosário, a Cámara de Publicidad em La Vía Pública, Letreros y Afines de Rosario, expressou sua preocupação com o número de cartazes com mensagens de políticos instalados ilegalmente nos espaços publicitários contratados pelos anunciantes privados. Ou seja, uma empresa de automóveis ou telefone lança uma campanha, contrata espaços de Publicidade Exterior e investe na produção dos cartazes a serem veiculados para ter suas peças, em poucos minutos, "cobertas" pela propaganda política que, aliás, não pagou um centavo para ter esses espaços ocupados. Esses mesmos partidos e políticos avançam, agora, sobre todos os outros equipamentos da cidade que consideram adequados para veicular suas peças, inclusive bancos de praça, abrigos de ônibus e lixeiras, e até mesmo, como uma proposta feita pelos vereadores, utilizar pintura anti vandalismo em monumentos e edifícios públicos.
Em Neuquén não é muito diferente. Lá os políticos são multados pelo Tribunal de Magistrados do município, quando fixam peças em locais não autorizados ou em propriedade particular. Mas, para os políticos isso pouco importa (como muitas outras coisas, aliás). Eles continuam fazendo publicidade ao seu bel prazer e, quando a multa chega, pagam pelas punições uma vez que os valores das mesmas são ridículos: entre 70 e 700 dólares.
O que acontece na Grande Buenos Aires, que compreende a área da cidade autônoma de Buenos Aires, vamos contar em poucos dias, em outra reportagem, adiantando que lá, os acontecimentos são mais apropriados para as páginas policiais dos jornais.
Carlos Guzman Heredia | Correspondente do eAgora em Buenos Aires
Foto: Diario La Capital de Rosario
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