Publicada em 09/04/13
Entre O Esquecimento E A Negligência
Mobiliário Urbano De Buenos Aires se deteriora cada vez mais
O mobiliário Buenos Aires vive um momento delicado, se equilibrando entre o esquecimento e a negligência das autoridades.
Equipamentos como abrigos e pontos de ônibus, telas de publicidade e placas indicativas de ruas deveriam ter sido substituídos, no ano passado, por novos modelos. Mas, já no final do primeiro trimestre deste ano, a maior parte dos equipamentos que servem à população ainda sequer foi trocada. Do total da Capital, apenas alguns corretores como as avenidas Córdoba, Figueroa Alcorta, Libertador e Monroe, no centro e norte da cidade, já podem mostrar à população os novos modelos de abrigos com telas para a publicidade.
Uma reportagem publicada pelo jornal La Nacion, mostrou a faceta de uma cidade com regiões degradadas com adesivos, especialmente aqueles relacionados a oferta de serviços sexuais feito pelas profissionais argentinas.
A Avenida Diagonal Norte foi uma área beneficiada pela mudança de equipamentos urbanos. Como lá está a sede do Ministério do Ambiente e Espaço Público, responsável pela renovação do mobiliário urbano, foram instalados novos dispositivos, que aos poucos vão se espalhando para os demais quarteirões no entorno da artéria.
Um volume menor de equipamentos chegou a Las Heras, Callao, Entre Rios, Casares, Bullrich, Avenida de Mayo, Sarmiento, Leandro N. Alem, Paseo Colon, Almirante Brown, Martin Garcia, Velez Sarsfield, Independência, Juan Bautista Alberdi, San Juan, caseiro e Dorrego, onde se percebe, principalmente, a mudança das placas indicativas de ruas que, agora, incorporam o nome do município correspondente.
Em muitos casos, as novas peças ainda dependem de postes de semáforos de tráfego, contrariando um dos objetivos da modernização da infraestrutura urbana que era justamente o de limpar as calçadas de peças de sinalização. Em outras partes da capital, os atrasos ficam mais evidentes.
Pelas informações oficiais do Ministério do Ambiente e Espaço Público, cerca de 40% do mobiliário urbano da capital já foi substituído, número difícil de ser confirmado para quem passa pela cidade e se defronta com peças antigas e inúteis por toda a parte. Uma rápida pesquisa sobre a quantidade de peças novas instaladas, dá conta que dos 18.780 abrigos antigos, apenas 2.171 foram substituídos, ou sejam, cerca de 11,5% do total.
As reformulação do mobiliário urbano foi concedida a três empresas que prometeram investir US $ 30 milhões (Publicidade Sarmiento, dos irmãosTerra Nova, Grupo Sul, de Albistur Henry, ex-secretário da mídia nacional e PC Via Pública).
O atraso justificado pelo Ministério conta, entre outras coisas, com justificativas de chuvas fortes no período do começo do ano, o que impediu a instalação das peças programadas. Outra justificativa dada pelo Ministério é que a Assembleia Legislativa aprovou uma lei que alterou os critérios para a distribuição de pontos de ônibus, obrigando reformulações no plano original que foram incorporadas ao contrato original de concessão. Esse detalhe obrigará, inclusive, o remanejamento de peças já instaladas para outros locais.
Ainda para complicar ainda mais o problema que parece não ter fim, comerciantes e as autoridades portenhas advertiram que a distância mínima entre cada abrigo e o meio-fio, determinadas e especificadas na licitação é insuficiente. Com isso, foram registrados impactos dos coletivos nos telhados e até nas telas de abrigos, durante as manobras de aproximação ou parada nos mesmos. Devido a essa falha de projeto e instalação, muitos dos equipamentos têm de ser refeitos e reinstalados.
A concessão prevê a renovação de cerca de 26 mil abrigos e paradas de ônibus, telas publicitárias, placas indicativas de ruas e bicicletários. Pela operação do sistema, as empresas devem pagar à cidade uma taxa anual de 30 milhões de pesos, ou o equivalente a 15% do volume de negócios em publicidade, além de arcarem com a manutenção das instalações.
Jorge Luiz Mussolin
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