23 de Julho de 2009
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Publicada em 18/01/13

O Prejuízo De Uma "Cidade Limpa"

Depois de lei de Gilberto Kassab, prédios históricos mendigam recursos para restauração

A Lei Cidade Limpa, que parece estar se flexibilizando cada vez mais na cidade de São Paulo, se for extinta, não vai deixar saudades. Pelo menos para os prédios e símbolos da cidade que, desde sua aprovação, colhem migalhas para serem restaurados.

Sem o apoio da publicidade, por conta da Lei ditatorial, uma série de prédios históricos de São Paulo, foram obrigados a arcar com seus próprios recursos para promover as reformas necessárias para sua conservação.

O fato é que a Lei ainda assusta investidores. Mesmo autorizados a captarem recursos em troca de publicidade em suas fachadas, prédios históricos e tombados do centro de São Paulo não conseguem investidores para bancarem as reformas.

Recentemente ouvimos o caso do edifício Copan, projetado na década de 1950 por Oscar Niemeyer. O edifício (um dos ícones da cidade), precisa fazer a troca das pastilhas que adornam o prédio, já que o revestimento vem descolando, podendo causar acidentes com pedestres. Para bancar a reforma, o edifício idealizou um projeto de restauração orçado em R$ 23 milhões, para uma fachada de 46 mil metros quadrados. Para isso, busca anunciantes que poderão estampar suas marcas nas telas protetoras durante a reforma. A Lei permite a publicidade em até 10% das telas de proteção ou de tapumes para publicidade.

Mas, embora a instalação das telas já tenha autorização da Prefeitura, nenhum patrocinador se animou e a reforma deve ser bancada, pelo menos no início, pelo
fundo de obras do próprio prédio. Prováveis anunciantes consideram o custo muito elevado pelo pouco espaço oferecido para a veiculação de suas marcas.

No Edifício Itália, na avenida Ipiranga, tombado pelo patrimônio histórico municipal desde 1992, a situação não é diferente da realidade enfrentada pelo Copan. Por duas vezes a administração do edifício tentou o patrocinío para a reforma, sem sucesso. Há cerca de 4 anos, o edifício realizou uma reforma orçada em R$ 10 milhões, e agora está investindo mais R$ 800 mil para a troca de 48 mil lâminas de alumínio para as janelas.

E assim os símbolos da grande metrópole vão se deteriorando em favor de uma Lei absurda que pretendia deixar a cidade limpa. Basta olhar em volta para se ver que a intenção não saiu do papel e o custo para os monumentos da cidade está sendo pago de forma altíssima.

Jorge Luiz Mussolin