23 de Julho de 2009
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Publicada em 30/11/12

São Paulo À Venda

Gilberto Kassab, antes de sair da Prefeitura, quer vender rua

Que ele já tentou fazer isso, todos os paulistanos já sabem. Mas a insistência nessa prática é que chama a atenção da administação de Gilberto Kassab, na cidade de São Paulo.

Faltando poucos dias para nosso administrador deixar (finalmente), a Prefeitura, ele volta a sugerir a venda de uma parte da cidade. Antes, criou polêmica e gerou a revolta de boa parte da população por oferecer quarteirões inteiros à expeculação imobiliária, a título de construir creches na periferia. Agora, é a vez de Kassab tentar vender a Rua Oswaldo Imperatrice, uma travessa da movimentada Rua Leopoldo Couto de Magalhães, no Itaim.

A alegação da Prefeitura diz que a via sem saída serve apenas de acesso a moradores. O preço fixado é de R$ 5,83 milhões pelos 589 m² da via.

Mas, apesar da alegação da Prefeitura, os comerciantes afirmam que a ação só atende a interesse do mercado e que lá será aberto espaço para um novo prédio na região já saturada de empreendimentos. Segundo os moradores, a empresa Birmann Empreendimentos comprou os terrenos e gerencia o projeto para um grupo de investidores, a Faria Lima Traine Properties.

Kassab pediu autorização para vender a rua por meio de licitação, em projeto de lei enviado aos vereadores. A proposta envolve a venda de 20 áreas públicas até o fim do ano. A base governista já se articula para aprovar os textos em "sessões relâmpagos" da Comissão de Constituição e Justiça antes de colocá-los para duas votações no plenário.

E foi assim ontem que os parlamentares governistas organizaram um congresso de comissões para avaliar a legalidade de 19 projetos, entre eles o da proposta de venda da Rua Oswaldo Imperatrice. Poucos parlamentares sabiam ao certo de que se tratava o Projeto 477/12 do Executivo, publicado ontem no Diário Oficial da Cidade. Sua chegada à Câmara foi informada em plenário pelo presidente da Casa, José Police Neto (PSD), às 17h45.

Pelo projeto, o dinheiro da venda será aplicado "em áreas essenciais para o atendimento da população". Mas não se define nada específico de onde esse valor arrecadado será aplicado.

Essas histórias me fazem lembrar aqueles personagens que aplicavam golpes famosos em pessoas que chegavam à cidades famosas, como vender a Torre Eiffel ou o Big Ben. Aqui, a coisa é legalizada, agora, com a iniciativa do Prefeito e o apoio da Câmara de Vereadores.

Quanto tempo falta mesmo para acabar essa administração?

Jorge Luiz Mussolin