Publicada em 19/10/12
São Paulo Não Aguenta Mais
População mostra, em pesquisa, rejeição aos padrões atuais da administração municipal
O Instituto Datafolha publicou, hoje, uma nova pesquisa sobre as intenções de voto entre os candidatos José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), pela prefeitura da maior cidade da América do Sul.
O nome do petista está na frente com uma larga vantagem sobre Serra. E as razões para se entender essa disparada está na alta rejeição que a população vem demonstrando, pelo modelo de administração que tomou conta da cidade nos últimos anos, implementado pela dupla Serra-Kassab.
Segundo este último levantamento, a rejeição ao nome de Serra disparou, passando dos 42% da última pesquisa, para 52% da população que não votaria no tucano "de jeito nenhum."
É a primeira vez que mais da metade do eleitorado rejeita o tucano. Desde 1992, só dois candidatos a prefeito de São Paulo chegaram ao final da disputa com um índice superior a este. Em 2008, Paulo Maluf (PP) era rejeitado por 59%. Em 2000, Fernando Collor (PRTB) alcançou 62%.
Outro peso na candidatura de Serra é Kassab que tem rejeição altíssima pelas atitudes esdrúxulas e ditatoriais que tomou em sua administração. Apesar de sua avaliação variar um pouco nesta pesquisa (42% dos eleitores classificaram a administração Kassab como ruim ou péssima, enquanto em setembro, eram 48%.), a antipatia da população pela sua figura continua alta. O que se ouve com mais frequência nas ruas é "já vai tarde, Kassab."
A queda de seis pontos na reprovação não representou ganhos de aprovação. Antes, 20% diziam que o trabalho de Kassab era bom ou ótimo. Agora são 19%. O que aumentou foi a avaliação regular (de 29% para 37%). Convidados a dar uma nota de 0 a 10 a Kassab, os paulistanos deram 4,4, em média, igualando a nota do início de setembro, a pior desde julho de 2007.
Relembarmos que Kassab foi eleito vice em 2004 ainda pelo PFL, assumindo a prefeitura em 2006 após a renúncia de Serra para disputar o governo do Estado. Em 2008, foi reeleito com apoio do tucano. Agora defende a volta de Serra à prefeitura.
Serra foi o mentor da chamada Lei Cidade Limpa, implementada por Kassab, em 2007, resultando no fechamento de centenas de empresas e a demissão de milhares de profissionais, da noite para o dia. Além disso, outras medidas antipáticas, visando interesses de grandes grupos, foram tentadas como a venda de terrenos para a especulação imobiliária, a reformulação da região da Santa Ifigênia, a suspensão da distribuição de refeições para pessoas carentes (feitas por entidades de assistência), etc etc etc. Além disso, obras essenciais foram deixadas de lado e a cidade continua suja e escura. A questão da inspeção veicular atinge apenas veículos novos e tudo continua como estava.
Por isso esse clima, esse desejo de mudança parece ter tomado conta da cidade e está bem claro nas nas respostas dadas pelos entrevistados. Em outra questão feita pelo Datafolha, o instituto perguntou se os eleitores querem mudança ou manutenção das ações do atual prefeito. Resultado: 88% preferem um novo prefeito com ações diferentes das de Kassab.
Então, fazendo eco ao que sempre ouço nas ruas: Kassab, já vai tarde.
Jorge Luiz Mussolin
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