23 de Julho de 2009
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Publicada em 21/09/12

Quando Não É A Chuva, É O Fogo

Cidade de São Paulo sofre nas mãos de um prefeito que não sabe agir contra a chuva e nem contra o fogo

Prezado Leitor, estamos a pouco mais de quinze dias da eleição que vai decidir quem será o novo prefeito da maior cidade da América do Sul.

O horário político que subjuga a população diariamente não nos oferece muitas opções. Aliás, a única opção que nos deixa é rir muito das figuras exóticas que traz. Ninguém faz propostas concretas, mostra como fará. Todos apenas prometem melhorar isso, aquilo, e aquilo outro. O pulo do gato, no entanto, ninguém ensina.

E lá vamos nós, novamente, escolher o próximo prefeito sem ter uma base segura em quem votar. Os que estão ai, se apresentando ao cargo, entre uma fala e outra, provocam os adversários. O candidato Serra, que deixou seu apadrinhado, Gilberto Kassab na prefeitura, se justifica por ter abandonado a Prefeitura, promete ficar até o fim, se descola da imagem do prefeito atual e continua sendo um dos mais rejeitados pela população. Não simpático nem a este e nem àquele partido, mas vê-lo na televisão, atualmente, é concordar um pouco com o que Haddad afirmou recentemente. Serra é "triste", é uma "pessoa que só traz o mal para a cidade. É uma pessoa que não tem a menor generosidade nem com as pessoas do partido dele."

Quem vive em São Paulo sabe o que ele acabou deixando para a população quando deixou a Prefeitura nas mãos de Gilberto Kassab que, segundo as últimas pesquisas realizadas, colocaram o lugar tenente de Serra em 21.º lugar no ranking dos prefeitos das capitais. Ele tem saldo negativo de 24% - ou seja, há mais paulistanos que julgam seu governo ruim ou péssimo (44%) do que bom ou ótimo (20%).

Esse é o preço que está pagando por não ter zelado pelo seu principal patrimônio: o nível de aprovação de sua administração. E isso se dá pela inoperância dele em praticamente todos os setores da cidade.

Não construiu as creches tão necessárias, não estabeleceu os corredores de ônibus, não construiu os hospitais prometidos, e tantas outras coisas que nem dá para relacionar. Basta ver que cumpriu apenas 1/3 de suas propostas assinaladas no momento de sua eleição. É triste.

A cidade sofreu muito, durante esses anos de administração Kassab, além da extinção de segmentos produtivos, ameaçou, cerceou e intimidou outros segmentos profissionais. Forçou e quase conseguiu trocar propriedades de uso social com o mercado de especulação imobiliária. Durante muito, a cidade sofreu com as fortes chuvas e praticamente submergiu debaixo das águas, sem qualquer providência da Prefeitura. Quem é que não se lembra do caso do Jardim Pantanal, deixado debaixo d’água por mais de um mês, sem que o prefeito tomasse qualquer providência? Esse foi apenas um caso de dezenas de outros. São Paulo quase afundou enquanto nosso prefeito sumido, tratava de montar seu próprio partido.

Se escapamos das águas das chuvas de verão, agora é a vez dos incêndios nas favelas. O Programa de Prevenção contra Incêndios em Assentamentos Precários (Previn) ainda não recebeu recursos do orçamento municipal neste ano. Aprovada em 2009, a lei que prevê a instalação de hidrantes, extintores de incêndio, escadas e rotas de fuga só foi aplicada em 50 favelas da capital paulista. O número representa 3% dos 1.633 loteamentos irregulares registrados pela Secretaria Municipal da Habitação. A cidade teve 34 incêndios em loteamentos irregulares apenas neste ano!

Ou seja, se não morrermos afogados com as chuvas do novo Verão que se aproxima, é bem possível sermos queimados impiedosamente pelas chamas desses incêndios em favelas.

E o prefeito atual, e até o próximo, provavelmente, enquanto isso, estarão prometendo que irão resolver esses problemas.

Enfim, vote bem. Que não caiamos novamente em uma armadilha que vai nos prejudicar por mais 4 anos.

Jorge Luiz Mussolin