23 de Julho de 2009
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Publicada em 01/08/12

Sempre A Mesma Ladainha

Mega painel digital, em Buenos Aires, volta a funcionar

Os 562 metros quadrados do maior cartaz de América do Sul está novamente em funcionamento e, como não podia deixar de ser, a indústria de protestos - reclamações - e outros debates, está funcionando em sua máxima potência. O cartaz de avançada tecnologia LED é o da Coca-Cola, o mesmo que começou a funcionar em 2010, e que operou somente por quinze dias, momento em que começou uma batalha política marcada por intensa movimentação judicial.

A mudança do juiz responsável pelo processo e a utilização de algumas lógicas sagazes políticas e judiciais, modificaram a situação e o Obelisco — o emblemático monumento portenho — volta a conviver com essa gigantesca tela. É nesse momento em que um grupo de personagens passa a reclamar em viva voz — com a convivência de um jornalismo que precisa do escândalo (que rebatizaram como debate) — e descobre que não é apenas uma tela que funciona em Buenos Aires, e que há pelo menos seis, ainda que nenhuma tão grande como a do refrigerante.

O primeiro —e débil argumento— é o nível de distração que gera um cartaz dessas dimensões gera no motorista, o que deixa supor que para estas associações, ou para esses arquitetos que inventaram a poluição visual, os que conduzem veículos são um enxame de imbecis lançados à grande velocidade, olhando à direita e à esquerda, mas jamais para frente.

Para distrair-se em cidades como Buenos Aires, São Paulo, New York, Madri ou a que se lhe ocorra, o que não falta são cartazes de publicidade. Primeiro é preciso um idiota ao volante. Depois, apenas um cachorro fazendo xixi na árvore da esquina. Pronto: um coquetel explosivo e uma batida garantida.

O aspecto positivo desses pseudo-debates é que agora se deram conta de que há dois cartazes de LED que sim, realmente deixam cega até mesmo uma águia. Por um lado estão as clássicas letras "E" dos estacionamentos (parkings), que se podem ver a muitas quadras de distância pelo tamanho e potência. Insuportáveis. Por outro lado, estão os automóveis da polícia federal, cujas luzes são de LED. E viajar com esse veículo à frente pode transformar-se em algo bastante parecido a uma maldição dos deuses dos bairros mais tenebrosos.

A questão é que, enquanto, por um lado, dizemos que Buenos Aires está cada vez mais distante das grandes cidades do mundo, por seu atraso, seu lixo, o caótico trânsito e insegurança gigantesca que nos invade, também é verdadeiro que quando contamos com elementos visuais que melhoram a estética da cidade, um coro de araras entoa canções de protesto.

Carlos Guzmán Heredia | correspondente do eAgora en Buenos Aires