Publicada em 09/12/11
Exterminador De Empregos Não Sabe Gastar Nosso Dinheiro
Enquanto você, empresário ou empregado, se sacrifica para ganhar seu dinheirinho, a Prefeitura distribui dinheiro por projetos que nem saíram do papel e ainda lança projeto para extinguir mais uma categoria de trabalhadores
A Prefeitura de São Paulo mostra mais uma vez que não tem qualquer vocação para planejar e também controlar o dinheiro arrecadado com impostos e taxas. Além disso, prepara mais um projeto que deve extinguir cerca de 15 mil trabalhadores, como já fez com a categoria de Profissionais de Mídia Exterior. Já noticiamos coisas semelhantes anteriormente, mas vale a pena dar destaque a mais esses absurdos, focados pela mídia nesta semana.
Um projeto polêmico para a cidade de São Paulo, apresentado e discutido desde a gestão do Prefeito Jânio Quadros e estimado em R$ 1,37 bilhão, o Bulevar JK é uma obra que sugere a criação de uma passagem de 1.300 metros entre as Avenidas 23 de Maio e Morumbi, na Zona Sul de São Paulo.
Até ai, nada contra, pois a cidade precisa ser repensada e reconstruída de tempos em tempos. O que me deixa preocupado e me incomoda é o fato da Prefeitura de São Paulo já ter pago cerca de R$ 40 milhões por obras do Bulevar JK, na Avenida Juscelino Kubitschek, zona sul de São Paulo, apesar de o projeto ainda nem saído do papel. O jornal "Estado de São Paulo" teve acesso às folhas de medição feitas pela São Paulo Obras (SP Obras), ligada à Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana, comprovando que os serviços previstos no projeto já receberam verba da Prefeitura. E pasmem: apesar dos milhões já pagos à empreiteira Camargo Corrêa, empreiteira responsável pelos serviços, ainda não é possível ver nenhum tipo de intervenção na Avenida Juscelino Kubitschek para a construção do Bulevar JK. Onde foi parar esse dinheiro? Quem garante que a obra será realizada mesmo?
A nova obra fará a ligação direta dos Túneis Ayrton Senna/Tribunal de Justiça - complexo que começa no Ibirapuera e termina na Juscelino - aos Túneis Sebastião Camargo e Jânio Quadros, que passam sob o Rio Pinheiros. Depois de pronto, a Juscelino ficará restrita ao trânsito local.
Há algumas semanas antecipamos que depois de quase oito anos de inércia, sem obras importantes contra enchentes, transporte público e outras áreas de sua responsabilidade, a Prefeitura pretende, no próximo ano, transformar a cidade em um canteiro de obras já que é ano de eleições. Quer dizer, a Prefeitura só trabalha um ano a cada quatro. Então por que pagamos os nossos administradores nos outros três anos sem não apresentam nenhum tipo de trabalho produtivo?
A prefeitura tem previsão de investir R$ 6,4 bilhões em novas obras no ano eleitoral, o triplo do que foi investido este ano, com a intenção de fazer o sucessor de Gilberto Kassab.
A oposição acusa o governo de transferir para ano de eleição os R$ 6,8 bilhões que a Prefeitura tem em caixa, incluindo R$ 1,5 bilhão de operações urbanas.
Se não bastasse não gastar adequadamente o dinheiro público, ontem, 37 dos 55 vereadores paulistanos aprovaram projeto que autoriza o prefeito a dar reajustes de até 236% para cargos de chefia de segundo escalão da Prefeitura em 2012. Em 28 das 31 subprefeituras comandadas por coronéis da reserva da PM, que já recebem até R$ 15 mil de aposentadoria, subprefeitos vão receber salário de até R$ 35 mil mensais - o teto constitucional para o funcionalismo na capital é de R$ 24.117,62 mil, estabelecido em decreto de abril.
Com previsão de impacto de R$ 19,4 milhões nos cofres públicos em 2012, o aumento também triplica o salário de 28 secretários adjuntos e 59 chefes de gabinete de secretarias e subprefeituras, além de superintendentes de autarquias e fundações.
O salário do subprefeito vai saltar de R$ 6.573,27 para R$ 19.294,10. Hoje, um chefe de gabinete recebe salário de R$ 5.455,98 - o vencimento agora subirá para R$ 17.364,69, reajuste de 218,27%.
Secretários adjuntos, que ganham R$ 5.455,98, passarão a receber R$ 18.329,39, o equivalente a 235,9% de aumento. Para os cargos de superintendente de autarquia e presidentes de fundações - como do Serviço Funerário Municipal e do Hospital do Servidor Público -, que recebem hoje R$ 5.998,99, o holerite passará a ser de R$ 18.329,39, ou seja, 205,54% mais do que o valor atual.
O prefeito argumenta que os salários da administração precisam ser atrativos para possibilitar contratação de profissionais qualificados do mercado (então são todos desqualificados e não tinhamos percebido isso até agora?). É o maior aumento já concedido para funcionários públicos da Prefeitura nos últimos oito anos.
Por volta das 19h30, Kassab ligou para seus líderes - começando pelo do governo, Roberto Trípoli (PV) - e exigiu a aprovação imediata da proposta de aumentos, sem nenhuma modificação. Ninguém discutiu, é claro.
Enquanto gasta sem qualquer critério e a fundo duvidoso, o Prefeito Gilberto Kassab parece ter uma tendência a ser conhecido como o Exterminador de Empregos. Agora, apresenta um projeto que acaba com função de cobrador de ônibus. Com isso, cerca de 15 mil cobradores de ônibus de São Paulo ficarão sem emprego e a função será absorvida pelos motoristas contratados a partir de 2012.
Um dos argumentos para a mudança é de que hoje apenas 8% dos usuários de coletivos municipais pagam as passagens com dinheiro - todos os outros usam o bilhete único, criado em 2004. Se forem usados critérios como esse, talvez seja interessante pensar em extinguir a função de Vereadores e até mesmo do Prefeito pela baixissima produção e competência que demonstram.
Líderes governistas afirmavam desde segunda-feira que o prefeito queria um projeto para colocar fim aos cobradores. Apesar de fazer oposição a Kassab, Rodrigues aceitou apresentar a proposta para agradar seus aliados dentro das empresas de ônibus. Oficialmente, o governo nega que tenha articulado a apresentação da proposta.
É isso. Mentiras. Sempre mentiras. E vamos tentando viver aqui em São Paulo.
O ano que vem tem eleições. Pense bem em quem votar.
Jorge Luiz Mussolin
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